Perdoem a falta de tempo

É impressionante como um namoro vira sua vida de cabeça pra baixo. Eu mesmo, que me apaixono loucamente e muito rápido, e já vou logo entrando na vida de uma pessoa e puxando-a para que entre na minha em questão de dias. Agora me vejo sem tempo pra nada, a não ser namorar, além de ter meus planos arquitetados a meses parecerem incertos e os que fiz agora, a dois, parecem sólidos e até de muito meses atrás. Mesmo o fato dela ser de outra cidade não me faz ter tempo, já que se vive mesmo nos fins de semana, e durante ela se sobrevive. Passo de sexta a domingo trancado no quarto com ela, com um pesar, bem pequeno, de não estar mostrando a cidade que tanto amo pra essa pessoa especial, além de exibi-la para meus amigos, que agora estão tão negligenciados, para que entenda melhor a minha personalidade e bobiças. Mas um pesar beeeeem pequenino mesmo, que é quase totalmente obliterado pela grande graça de um começo de namoro, que é ficar junto, grudado, descolando só de tempos em tempos pra ir tomar um gatorade. Praticamente abandonei este blog, não por falta do que escrever, pelo contrário, mas por não encaixar na minha vida mais momentos que possa me dedicar a tranquila arte reflexiva de escrever. Mas é bom isso, passar por períodos de agito intenso e depois de calmaria, para que se possa digerir e lançar ao mundo suas impressões deste. Mas, agora, estou apaixonado, e por esse motivo eu já merecia ferias de tudo e todos para que pudesse ficar só, com ela.

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Hoje acordei meio desatento

Sempre fui muito carinhoso, e é ótimo ter alguém pra quem direcionar isto. Claro, alguém que valha a pena. Pode parecer que sou um devasso, e até sou, mas carinho é essencial. Indubitavelmente. Mimar, abraçar, beijar, presentear, acariciar, deixar teu corpo e tuas ações mostrarem tua paixão, quer coisa melhor? Bem, melhor mesmo só ir conhecendo cada vez mais essa pessoa, e se apaixonar cada vez mais. Até pelos pequenos defeitos, essas falhas de impressão que dão charme pra peça. E verter, num gole, todo um universo que é uma pessoa interessante e tentar e claro, não conseguir, entender-la. Porque a graça mesmo não é bem essa, e sim contemplar e achar demais. Acho que é mais ou menos como ver fotos da Via Láctea, você tem até uma noção do que é, mas é incompreensível no fundo. É mais ou menos o que penso das mulheres, mas isso não tira nem um pouco o fascínio que tenho por elas. E, hoje em dia, por uma em especial, pra quem estou correndo pros braços daqui a horas pra tratar como uma leoa. Óbvio, sempre espere ou, melhor, exija reciprocidade num relacionamento, mas entendendo que carinho tem infinitas formas de se manifestar. As vezes entra no bolo do incompreensível, em que atitudes que para ela são óbvias demonstrações de paixão, passam batido pela ótica masculina. Não é por mal, vocês não precisam virar um exército pronto para a guerra dos sexos, nós realmente não entendemos boa parte delas. De verdade. Sério, é como a regra do impedimento pra vocês. E você que mesmo depois deste machismo barato e desnecessário segue lendo, parabéns, você tem senso de humor! que no fundo é uma das características essenciais que toda mulher deve ter. Isso mesmo, deve. Me perdi. A, essa desatenção masculina não é por mal, mesmo. Outro dia fui na casa de uma amiga consola-la, com outra amiga junto. Ela estava naquela crise, de não saber mais nada sobre o relacionamento que tinha, o que significou, confusa com o misto de sensações que sentia, sobre o que fazer, como tratar o rapaz. Fiquei soltando minhas máximas, na melhor das intenções. Só que na tv passava um jogo, e quase na conclusão do meu pensamento que compartilhava com a moça saiu um gol. Vibrei, instintivamente, e quase fui fulminado pelo olhar da outra amiga. Foda, realmente não é de propósito estas coisas, não só futebolísticas, que nos são básicas e primitivas, que não conseguimos evitar. Por mais gostosa, linda e apaixonante que você seja, ao caminhar de mãos dadas com seu homem tenha paciência, mesmo fingindo que não esta olhando outras mulheres, ele está. Quando estão os dois em silêncio ele até vai disfarçar numa boa, mas bote-o para conversar e veja a segunda natureza ali, agindo, na maior cara de pau e, acima de tudo, de forma totalmente automática. Se não, ou não é da orientação sexual que procuras ou é muito amor mesmo. Ou cegueira. Porra me perdi de novo. Deixa eu tentar salvar isso aqui: se o seu homem te enche de carinho, atenção, presentes, beijos, massagens, prestabilidade e orgulho, e gosta de tudo isso vindo de ti na mesma medida, ele te adora e pronto. Então seja magnânima e perdoe essas cagadas do dia a dia, não são de propósito. Agora, se ele não faz muita questão do teu afeto e comete estas imperfeições, bem, nem precisa dizer.

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Pulga atrás da orelha

Num dos meus passeios pelo centrão, acompanhado de um amigo, saímos falando sobre mulheres. Este rapaz está enrolado com uma garota, que está no limiar entre ser muito dissimulada ou muito inexperiente. É destas que você investe e investe, e no máximo só consegue uns beijinhos, e isso com muito tempo de dedicação. O que está incomodando o camarada é que num fim de semana recente ele a levou pra casa, quarto e cama, mas não pro beijo e, obviamente, a finalização da pequena. Ele argumentou que ela é virgem, e na situação que ela estava, botando em números, era 50% pra rolar uma sacanagem, e com um beijo seria no mínimo 75. E ela, muito precavida, se fez. Olhei pra ele e comecei o sermão, que ele não pediu mas que adoro dar a troco de nada, que analisando friamente pode-se chegar a dois cenários: ou ela é realmente virgem e idealizou toda uma situação, que não era aquela, e se fez por querer se preservar, ou estava e ainda está enrolando ele na maior cara de pau, usando-o como muleta emocional e eventualmente como estepe; E que se os homens se acham os reis da enrolação, acredite, elas são muito, mas muito, mas muito mesmo, mais dissimuladas que nós, de uma maneira que nem conseguimos conceber. Longe de mim querer poluir a cabeça do garoto, mas sejamos francos, só uma mulher pra pegar uma mulher numa tramóia. Até as burras são bem vivas e ligeiras, tanto que até hoje tenho a crença inabalável que nunca tomei um chifre. É gente, é uma convicção baseada na ignorância e visão de mundo limítrofe que convencionou-se chamar de mente masculina. Mas enfim, ele se mostrou tão confiante que nada pude, nem quis, fazer para convence-lo do contrário; Já que mesmo ele a conhecendo pouco, mesmo achando que muito, com certeza ele a conhece mais que eu. E o detalhe cômico da história é que enquanto andava e conversava, olho pro lado e vejo um sujeito engravatado, provavelmente saindo do expediente mais cedo, com uma aliança no dedo, andando ao meu lado e fazendo uma cara de misto de curiosidade e surpresa. Quando viu que o vi coçou a cabeça, aquela pulga atrás da orelha. Depois apertou o passo para ir, num palpite despretencioso, pra casa ver se a esposa estava lá.

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Chicote da alma

Passei a tarde conversando com um amigo de longa data que encontrei na rua, voltando do centrão da cidade. Ele me deu um abraço, meio de alívio, no que perguntei se alguma coisa errada tinha acontecido. Ele basicamente me contou que foi feito de idiota, embarcou numa empreitada que parecia certa com pessoas de confiança que acabaram o fazendo trabalhar por uma semana direto para no final não receber nada. Mas o que mais me intrigou foi a reação dele em reação a tudo isso: dizer que ele não queria mais saber do dinheiro que tanto o causou stress, desde que não precisasse mais ver a cara do infeliz que o botou nessa fria. Balancei minha cabeça numa negativa, e expliquei pra este amigo que ele perdeu uma linda e cristalina oportunidade de mandar alguém tomar no cu, com a boca cheia, talvez até cariocando um pouco o xingamento só pela estilística mais agressiva e escrota. Perdão, xcrota. Retrucou que a vida vai ensinar o sujeito, que agora está entregue a própria sorte com um projeto no meio do caminho e que não vai conseguir concluir sozinho. Mas porra, ele podia ter sido o agente da vida, e mandar o filha da puta se foder. Sem meias palavras! Sério, não sei se tenho algum desvio de conduta, mas quando alguém faz uma merda que merece, atenção a esta palavra, MERECE a sua ira, então faça o favor pro sujeito e a entregue de bom grado, de preferência babando um pouco na hora de berrar. Não que fosse fazer o cara aprender algo da vida que valha, mas com certeza irias sair assoviando e tranquilo, sem ter que dar uma caminhada a esmo no centro atrás de alguém pra ouvir a história e digerir contigo a úlcera que está se formando nas entranhas por ter que lidar com gente nada profissional e, obviamente, imbecil. Como diz meu irmão mais novo, a língua é o chicote da alma, e tem gente que pede umas chibatadas.

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Coxas roxas

Eu queria fazer uma tirinha em que uma gostosa entra na delegacia da mulher e abaixa a calça. Mostra a coxa roxa, verde, azul, amarela e vermelha. Nisso uma das policiais (ou agentes de saúde, ou assistentes sociais, sei lá nunca estive numa) exclama um susto e depois pergunta se a moça quer prestar queixas. Ela retruca “não, vim aqui esfregar na cara de vocês suas recalcadas, o que um homem de verdade faz com uma mulher. Mooooorram de inveja”. Não sei se é uma boa piada, mas mostra o lado mais selvagem que todo sexo tem que ter. Claro, nem sempre, mas sério, vocês garotas nunca saberão o que é dar um tapaço numa bunda empinadinha, e depois outro e mais outro e mais e mais e mais ouvindo os berros de dor e prazer se misturarem aos olhares para trás que vocês dão com tesão e raiva. Claro, vocês arranham costas, mordem, puxam o cabelo e essas coisas, mas isso nós também fazemos. E com gosto. Mas um tapa na bunda de um homem, francamente, é ridículo. Não tem a menor graça, e vocês sabem disso. Tapa na cara até vai, quando é devolvido na hora. E xingar é legal também, mas tem limites. Uma vez falei pra uma garota, no auge, a frase TÁ CURTINDO ESSA PIROCA SUA PUTINHA? e posso dizer que ela parou, me olhou e disse: não. Levantou, explicou que nunca mais era pra falar com ela assim e foi embora. Até hoje não sei se foi piroca ou putinha que incomodou, mas deve ter sido piroca. Se fosse cacete acho que passava, e caralho também, atemporais e que não precisam de muito contexto. Já o problema de piroca é que não soa sacana, e sim bagaceiro. Legal também é ficar perguntando o que você está fazendo com ela. Nunca ouvi falarem a palavra boceta de primeira, mas depois de umas provocadas falam se deliciando: vai, vai, fode essa bocetinha. Ou isso, mete esse pau gostoso. Mete filha da puta, mete. Enfim, essa é a graça, saber que elas gostam tanto de putaria quanto nós, e que só precisam de um, digamos, empurrãozinho pra se soltarem. Acho que isso vem do fato deste lado da sexualidade não ser muito contemplado no mundo das artes. Bem, cultura é algo relativo e talvez minhas referências não sejam as de vocês, mas falando em consumo de massa nunca vi comédia romântica com trepada, trepada nervosa mesmo. Muito menos novela, com seu sexo frontal e bonito, com MPB tocando no fundo, meia luz, cama com lençóis de cetim e um homem lindo e claramente veado com uma mulher linda e claramente fingindo que é assim que o sexo deve ser. Porque, com certeza, em boa parte das vezes não deveria.

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Domingão

Ontem fiz um programa de domingo bem caseiro: encontrei 3 amigos pra tomar umas cervejas e ver os jogos da tarde. Depois fomos pra casa de outro, compramos vinhos e ingredientes e fizemos uma janta, deliciosa, de penne ao molho de brócolis, brie, bacon e champignon. Um deles soltou a frase “Toma essa Faustão! Isso que é um domingão de verdade”. Voltei pra casa refletindo, vendo que são pessoas que não verei mais por um tempo, dessas que a vida separa. Um vai voltar a terra natal, sem muito rumo, e outro vai pra São Paulo tentar a vida na megalópole. Isso me faz lembrar de uma conversa que meu pai teve uma vez comigo, quando fiz vinte anos. Ele me explicou que nessa idade fica muito mais fácil fazer novos amigos, e que teria amigos anos mais velhos ou mais novos, todos nos vinte; E que depois eu os veria saindo da minha vida, cada um pro seu lado. Mas que eu não deveria me preocupar, afinal aqueles que são amigos de verdade, por menos que você não os veja, quando encontrares vais ter a mesma intimidade. Achei isso genial. Ele continuou falando mais: pense que você nem conheceu a mãe dos seus filhos, o melhor amigo que farás lá pelos trinta, depois a turma de quando fores coroa, aprender a refazer as amizades, se aproximando das pessoas da sua infância. Essas coisas. E ele me falou com tanta tranquilidade, com tanta sabedoria, que fiquei até meio bobo. É verdade, talvez muitas das pessoas que vão mexer comigo eu ainda nem sei que existem, mas da um certo pesar saber que as que eu já conheço estão partindo.

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Talismã da sorte

Tenho um amigo que jura que é só sair de casa com seu chapéu da sorte que ele sabe que vai pegar mulher. Engraçado isso, depositar tanta confiança num objeto. Numa conversa, um outro camarada ouviu e começou aquele freudianismo de boteco: “cara, não é o chapéu, é a confiança que ele te passa. É você!” no que o primeiro retruca “não porra! E quando a garota vem falar com você dizendo que seu chapéu é demais? É o chapéu mesmo!”. Dois pontos de vista que estão certos. Odeio fazer esse papel vaselina, de dizer que duas opiniões divergentes tem um fundo de razão, mas por um lado ele fica sim confiante com seu fetiche e as mulheres percebem isso. E, indo mais adiante, ele que escolheu o chapéu, logo se alguém se atrai ao objeto também o faz pensando no gosto de quem o escolheu. Mas e se existe algum mistério por trás? Eu tenho o que chamo de cueca da sorte. Babaquice, sim, especialmente que ela não é infalível. Mas que uma série de coincidências me aconteceram usando ela não posso negar. Belo bem da minha vida conjugal deixei este precioso bem nas mãos da namorada. Com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Se bem que seria mais prudente deixa-la numa redoma de vidro, com os dizeres: quebrar em caso de contra-chifre emergencial. Ou solterice aguda contraída. Acho que me fodi. Mas enfim, essas pequenas superstições do dia-a-dia são cretinas, mas não consigo me desvencilhar. Fiquei num hotel essa semana, visitando a namorada em outra cidade. Ela tem um pai que é contra essas modernezas de namorado da filha dormir em casa. Quando fui escolher um quarto, me deram a chave do 13. Parei e olhei por um tempo pro chaveiro com o número escrito, e refletindo “vou ser o idiota que pede pra mudar de quarto ou arriscar ficar no quarto 13?”. Optei por não arriscar. E o pior que não me senti um idiota. Que idiotice né? E tem as futebolísticas, de usar só a camiseta da campanha campeã, sentar no mesmo lugar do sofá, ver os jogos no mesmo bar, essas coisas. E ai de ver o jogo com a namorada, é ruim por dois lados: se perder você tem certeza que sua garota é pé-frio, se ganhar ela vai ser obrigada a ver contigo sempre. Quem manda ser o talismã da sorte. Se empatar que se foda, não tem problema, mas fica de sobreaviso. Mas que droga, não consigo parar de pensar naquela cueca! Será que está bem cuidada? Ou jogada com outras cuecas, de ex namorados, como se não fosse nada além de um estorvo? Será que ela vai exigir resgate? Me chantagear? Pior, será que está numa coleção de objetos de má sorte, dezenergizando, pra nunca mais funcionar? Ou na boca de um sapo, numa encruzilhada, com um desenho do meu pau murchado e triste? E SE ELA EXIGIR: OU O BIGODE OU A CUECA? PUTA QUE PARIU O QUE QUE EU FIZ!? Tenho que fazer um plano de resgate agora, é melhor não arriscar.

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Sem inspiração

Hoje acordei sem inspiração, já que recebi uma notícia que prometia ser muito boa mas infelizmente não se concretizou. Agora, neste baque, estou na frente do computador para escrever e sinceramente estou tapando buraco, com devaneios de grandeza que passam pela minha cabeça que falam “faça isso, seus leitores querem coisas novas sempre”. Ilusões a parte, estou aqui neste exercício para ver se consigo escrever assim, corrido, e torcendo que saia algo de interessante. Dizem que a coisa mais assustadora para um escritor é ver uma folha em branco, que te encara e fica ali, no seu silêncio passivo-agressivo, te julgado. Pra ser sincero não sinto muito isso. Acho que sou do tipo mais, digamos, otimista em relação a escrita. Além de ser óbvio o potencial que uma página em branco tem, é muito bom saber que dá pra tirar alguma coisa que valha por dia de dentro de ti. E, afinal, se em 24 horas não surge nada de digno para escreveres, alguma coisa de errado tem na vida que estás vivendo. Vou soltar aqui então uma reflexão, que é mais uma piada, que tive outro dia. Para mim a coca-zero está para a coca normal assim como a camisinha está para o sexo sem proteção. Mentem na sua cara que é a mesma coisa, mas venhamos e convenhamos, nunca será. Me lembro de quando fui num posto de saúde para tomar as injeções necessárias para ir a Manaus, o berço de tudo quanto é doença tropical bizarra, e fui perguntado pela oficial de saúde se sempre usava o profilático de látex. Respondi, óbvio, que não. Que tinha tido parceiras fixas que usavam métodos contraceptivos e que por isso praticávamos o sexo sem camisinha. Ela engrossou a voz e começou um sermão, que no fundo tem razão, mas que já ouvi tantas vezes que não pude evitar e a interrompi, com está pergunta: agora vai me dizer que achas a mesma coisa? Ela parou de falar, olhou para os lados e depois falou baixinho “é uma merda né?”. E achei mais expressiva a resposta dela por se tratar de uma mulher, que no fundo não é tão prejudicada mas pra quem também faz uma diferença. Mas, como diz um amigo meu, quando você esta dentro de uma mulher ela está te abraçando com o corpo. Deve ser uma bosta abraçar borracha. Tenho a impressão, da minha não muito vasta vida sexual, que muitas mulheres gozam ao sentir o gozo do homem. Me perdoem ficar repetindo gozo, mas sério, escrever clímax pra descrever um orgasmo é muita babaquice. O que me leva a pensar em outra coisa: como é difícil descrever sexo através de palavras, especialmente as escritas. Já fui muito criticado por preferir um jeito mais cru, mais “caralhobucetal” de escrever sobre sexo. Hoje em dia estou exercitando uma linha mais light, mais “penisvaginal”. Mentira, penisvaginal é muito médico, tenho que escrever mais sobre sacanagem e amor pra ver se consigo ler depois numa boa, sem vulgarizar nem também ficar com sono. Que avanço, não escrevi “paudurismo”. Enfim, acho que hoje chega, espero que tenha ficado bom de ler, já que pra mim foi um prazer escrever.

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O pai dela

Conhecer o novo sogro sempre é uma situação periclitante. Você torce pra que ele torça pro seu time, goste de falar de carros, tenha lido mais ou menos as mesmas coisas, tenha um gosto musical similar ou no mínimo respeitável, e todos esses papos comuns que servem pra amenizar o clima até que ele comece as perguntas, do tipo “quais suas pretensões com minha filha?” ou “e o que você faz da vida, rapazinho?”. As vezes você da sorte, as vezes não. Tem aquele que acha que você é a melhor coisa que já aconteceu pra filha dele, e te trata como um filho. É o tipo de coisa que te faz questionar bastante a escolha dela de homens, pensando nos outros que deve ter levado pra casa. Tem aquele que tenta te aterrorizar, faz piada com a sua cara, sua cidade, sua origem, tudo que der. Até gosto destes, afinal, se eu tivesse uma filha interessante e bonita eu não iria querer ela namorando um bunda-mole que não aguenta nem um pouco de pressão. Imagine, se o sujeito não atura meia hora de encheção de saco, imagina o que a vida vai fazer com este moleque? Não serve. Fiz algo parecido com o namorado, agora ex, da minha priminha. Ela tinha 18 anos, esta idade em que se tem certeza que já é adulto e pode se virar, uma gracinha de pensamento. Conheci o rapazola e apertei sua mão sorrindo, e depois falei em seu ouvido: “se você fizer qualquer coisa que magoe minha prima, eu te estupro pela uretra. Entendeu?”. Ele engoliu seco e fez que sim com a cabeça. Dias depois essa prima quase me deu uma surra de tapas, indignada com minha atitude. Mas enfim, acho que os piores mesmo são os quietos, que ficam só te encarando. É foda, o silêncio do outro é sempre preenchido pela sua insegurança. Bem, pelo menos nestes casos específicos. Nessa sexta conheci o pai da minha atual namorada, que fez questão de me deixar muito preocupado, falando que o pai dela é um sádico, adora reduzir a frangalhos os pretendentes e faze-los chorarem como as criancinhas que são, enquanto molham suas calças correndo pra casa e berrando “mamãe!”. Aí você chega lá e ele vai, te sacaneia, aquela coisa normal, e depois fica tranquilo. Tem as mesmas opiniões futebolísticas, é Flamengo, gosta de carro Hatch, toma chopp no almoço, gosta muito de ler, tem um humor ácido e engraçado e, acima de tudo, sabe a jóia rara da filha que tem. Não sei se ele gostou de mim, mas eu gostei bastante dele. Afinal, um homem que criou uma filha como ela deve entender muito da vida. Agora estou me preparando pscicologicamente pra verdadeira prova de fogo: conhecer a melhor amiga. Mas isso fica pra outro texto.

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Tenho pressa

Pressa, pressa pra tudo, sempre. É assim que sou. De correr, agitar, inquietar, incomodar, perguntar, sentir, pensar, ser, fazer, até de descansar. Já ouviu aquela frase “tudo ao mesmo tempo e agora”? Então, é bem por aí. Até pra escrever me atropelo, e tive que aprender a reler tudo umas 4 vezes pra conseguir organizar o que boto em palavras. Gostaria de ter paciência pra fazer isso em tudo na minha vida, e acho que a única coisa que não me agonia ainda é não ter parcimônia, pra isso tenho muita, na esperança que brote em mim com a idade. Não consigo chegar na hora em nenhum compromisso, ou vejo a importância dele e vou com muita antecedência na gana de encontrar meu destino ou faço o contrário, e postergo até ter que correr e correr e correr como um louco pra chegar aonde eu quero. Falo comendo sílabas, jogo futebol gastando o fôlego em minutos, danço que me acabo, me consumo. E hoje acordei com pressa, pressa pressa e pressa de ver ela.

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