A tendência é piorar

Você está pesando em mim agora. Você me quer nos seus lábios, nos seus dedos, no seu corpo. Você nunca me quis tanto, mas se bem me lembro você já fez coisas ridículas para me ter. Você me joga no chão, mas algumas vezes você me catau na sarjeta e me sorveu. Você mendiga por mim, se humilha, se coça de agonia quando não me tem. Sou a melhor parceria para a noite, mas também quando você acorda, depois do almoço, no meio da tarde, eu não tenho horário para lhe fazer mal, aquele mal que você gosta. Você me conhece a anos, brincava comigo, foi ficando sério e agora você é meu escravo. Parece que saio barato, mas no longo prazo meu preço é de ouro, em tudo que é sentido. Tem vezes que não saio do seu pensamento, e na maioria das vezes você nem sente que ele está mim, que estou fazendo falta, até que você percebe e vai a meu encontro. Tenho muitas versões, muitas nacionalidades, tudo quanto é povo já provou do meu sabor, que é bom na vitória e melhor ainda na derrota. Algumas das pessoas da sua vida me rejeitam, se enojam com minha presença, me chamam de vício, tem os que nunca me provaram e os que me conhecem bem, talvez até melhor que você, que não te ciúme de me compartilhar. Eu mexo com teu temperamento, te acalmo e te enfureço, é só uma questão de estar ali ou não. Você sabe que é na sua fraqueza, na sua rotina, nas suas neuroses e estresses que me fortaleço, e só preciso de um segundo pra te derrotar, mais um num rol de muitos que tentaram me superar e fracassaram miseravelmente. Meu gosto é amargo, eu cheiro mal, eu acabo com sua saúde, sua paciência, seu dinheiro e sua virilidade, mas mesmo assim você me deseja.

É gente, estou a uma semana sem fumar, e a tendência é piorar.

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Um domingo qualquer

11 da manhã: acordo com ela me beijando e se insinuando, mal tenho tempo de entender o que está acontecendo e seus lábios já estão nos meus. Parece que vai ser um bom dia.

Meio dia: o sexo foi incrível, poucas vezes a vi tão quente. Enquanto fico deitado, com as pernas moles, ela se gruda no meu corpo e respira pesado, parecendo ronronar. Ela fica vários minutos me fazendo carinho, enquanto reflito se devo voltar a dormir ou levantar. Num ímpeto ela dá um pulo para fora da cama, e pela energia que parece irradiar de seu corpo tenho a nítida impressão que a qualquer momento ela pode sair dando piruetas pra todo lado. Ao invés disso ela vai a cozinha e me traz um copo de coca e um cigarro, o café da manhã dos campeões, e me enche de beijos e se aperta contra meu corpo, quase dói.

13 horas: ela se cansa de me ver rolar de um lado a outro da cama e me puxa pelo braço. Faço grunhidos de protesto enquanto coloco uma bermuda e os chinelos, e rumamos a praia. O dia está bem ruinzinho, mas ela está expurgando vida demais para um pequeno apartamento.

14: depois de ficarmos abraçados na praia, vendo as ondas quebrarem, finalmente me sinto desperto e descansado. Falamos sobre muitas coisas, todas elas agradáveis, e ficamos namorando como um desses casais melosos que se chamam de tchutchuco e tchutchuca e essas coisas impublicáveis, e digo para irmos almoçar na casa dos meus pais. Sua face muda, mas parece que o incomodo de ter que argumentar contra é maior que ir encontrar os sogros. Não que ela não goste deles, ao contrário. Mas voltando ao apartamento ela deixa escapar que na mala que fez não havia roupa apropriada, e que eu sei que ela não gosta de não ser avisada de meus planos. Rio e faço pouco caso, digo que ela está ótima e que não há com o que se preocupar.

17: o almoço foi uma delícia, macarrão com tinta de polvo e molho de champignon. Faço a piada machista que, mal acostumado com uma mãe que cozinha muito bem, é bom que ela comece a praticar. Ela sorri de maneira política, e por um centésimo de segundo posso ver em seu rosto uma fúria que escapa, mas o suficiente para eu parar com as gracinhas. Ficamos mais um tempo ali, fazendo sala, até que ela insiste para irmos trabalhar em um projeto que ela queria minha opinião.

19: passo as últimas horas trocando o trinco da porta de entrada da casa por um do quarto, concluo o trabalho e me sinto um macho primitivo que arruma, que se suja e faz acontecer. Neste espírito abro uma cerveja e me deito no sofá, e noto que ela está na frente do laptop com uma cara aborrecida. Pergunto o que ela está fazendo, e ela fala que trabalhando no projeto. Eu me levando pra dar uma olhada, e ela fecha o computador e diz que não quer minha opinião. Começa um longo esporro sobre ela querer que eu queira ajuda-la, e fica cada vez mais alterada.

22: ela está chorando já a 3 horas, isso tudo sem dizer mais nenhuma palavra. Eu fico esse tempo todo consolando-a, pensando que deve ser mais que o eporro de antes. Não sei se fiz algo a mais de errado, se ela está mal no trabalho, se brigou com os pais ou tudo isso.

22:15: finalmente ela fala algo, depois de muito eu insistir sobre o que tinha levado a tamanho derramamento de lágrimas, e suas palavras saem num tom sinistro: “não sei nem por onde começar”.

Lapso de tempo indefinido: ela parece estar no maior monólogo do mundo, e vejo que minha dúvida foi sanada, era realmente tudo junto, com o especial tempero de umas várias coisas erradas que fiz e nem me lembrava. Tenho que aturar a frase “E O PIOR, NEM SABE O QUE FEZ DE ERRADO!” Enquanto minha mente esta acelerada, com a vontade de berrar de volta tudo que eu acho de hipocrisia nela, todo o desgaste que sinto de suas neuroses, seus problemas, suas culpas infundadas e tudo isso que as mulheres carregam consigo, uma voz serena, talvez a junção de todos meus antepassados homens, de tempos longínquos em que isto nem tinha nome ainda, me sussurram no ouvido: calma rapaz, ela está de TPM.

ainda indefinido: ela parou de berrar, rosnar e me dar tapas no corpo todo, e agora está no sofá em posição fetal chorando. Não tenho coragem de chegar perto dela nem de fazer muito contado visual, ouvi tanto grito que sinto que até emagreci, tamanho esforço pra aturar calado. Respiro fundo e vou buscar um alfajor, dizem que doces são bons nessas horas, deixo perto e vou saindo lentamente, sem lhe virar as costas. Minha cautela foi fundada, vendo o chocolate e um cinzeiro sendo lançado em minha direção consigo desviar sem me sujar. Fico mais um tempo parado, sem saber o que fazer, e muitos minutos se passam, até que resolvo usar uma tática arriscada, e falo pra ela: calma que a tua TPM já deve estar passando. Ela se vira e me lança um olhar homicída, e quando ela já esta com a face totalmente transtornada de raiva, eu engulo a seco e fecho os olhos, e no escuro de minhas pálpebras, esperando o pior, escuto risos. Abro o olho e ela continua chorando, mas agora rindo e de braços abertos, num convite que acho mais válido aceitar.

02:30 : ela passa o resto do dia se desculpando e me fazendo carinhos, até que dorme, chorando ainda.  A coloco na cama e vou arrumar a casa revirada de raiva, e só consigo pensar: sobrevivi.

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Não é fácil

Uma coisa que sempre me incomodou em interagir com pessoas difíceis é que quem tem que aprender a lidar com elas é você, e não elas mesmas que teoricamente tem a culpa por relações desgastantes.

Tipos de pessoas difíceis existem aos montes, mas as que mais me incomodam são as que julgam demais, as muito críticas. Coleciono pessoas destas na minha vida, e geralmente me dou muito bem com elas, inclusive as mais íntimas e que se sentem no dever, não direito, de apontar as falhas da minha vida e de boa parte das que estão em volta, já que fui abençoado com um sempre funcional botão de foda-se. Não que eu ache errado ouvir de pessoas que querem o teu melhor, mostrando maneiras de se tornar uma pessoa mais agradável, ou coerente, ou responsável ou seja lá a crítica da semana, acho tudo isso formidável e sempre se deve buscar gente assim a seu redor (mas que de preferência só lhe digam essas coisas quando perguntadas sobre o assunto, ao invés de dar a opinião gratuitamente). O que realmente me irrita é a apontação de dedo, aquelas que só servem para bater o dedo na tecla daquele problema que está ali e não pode ser resolvido, não em curto prazo, e sempre vem a tona, aquelas alfinetadas gratuitas que nunca fazem bem, só azedam as relações pelas pequenas coisas, a troco só de machucar o outro pelo prazer de ver que todos são humanos e tem os seus defeitos, suas idiossincrasias.

Mas o problema mesmo é ser você uma pessoa crítica, dessas que quando se tem seus defeitos escancarados pelo outro para que você veja, se revolta e se remói por saber que por mais que te critiquem, você mesmo já sabe de todos estes problemas e muitos mais que jamais serão ditos por amigos, familiares, amantes e desafetos, mas que você carrega consigo sempre.

É pessoal, não é fácil ser uma pessoa difícil.

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Paranóia Carioca

Domingo de noite, busco na minha lista de contatos alguém tão desocupado e com sede de inebriação quanto eu, e acabo acompanhado por um amigo de longa data. Já que estava chovendo resolvemos ir para um local público, porém coberto, que fica no Canto dos Araçás, na Lagoa da Conceição. É um dos pontos da balsa que leva as pessoas para o canto da lagoa, é coberto e fica dentro da água, acessível por um trapiche. Levamos um isopor e nele algumas cervejas, e logo que abro a minha aparece um sujeito ali, no meio da madrugada, com uma cara preocupadíssima. Ele me pergunta se vimos algo de estranho nos arredores ou no caminho para canto. Explicamos que não, e pergunto o que houve. O moço me explica que sua casa tinha sido roubada, logo ao nosso lado, e que levaram somente sua arma. Ele tinha chego um pouco antes de nós dois, e também não tinha visto nada na rua, e pensava que o mais natural é que os ladrões tivessem ido em direção ao canto, não ao morro. Nos avisou que tinha chamado a polícia, e que se tivéssemos alguma baseado ou algo assim seria uma boa que fôssemos embora. Resolvemos nos ir, afinal, mesmo não tendo nada a esconder não queríamos ter que explicar o que fazíamos aquela hora da madrugada perto de uma cena de crime. Depois de fazer a curva em direção ao morro, vejo três pessoas pedindo carona, e num ímpeto paro o carro, sentindo empatia por um grupo de seres humanos que estavam numa tremenda roubada, chovendo e sem meios de locomoção. No que eles entram tenho uma pontada instintiva no estômago, e aquele sentimento se traduz em uma certeza de ter os ladrões no carro. Afinal, o moço roubado tinha dreads, e esse pessoal também era bem roots, e a casa dele foi invadida sem vestígios de arrombamento, já que foi usado o controle do alarme que ficava escondido assim como também a arma, a única coisa que foi levada: logo quem o roubou conhecia a pessoa e seus hábitos, e os três, dois homens e uma mulher, estavam já na curva quando fizemos a conversão para ir para o ponto de balsa, e o moço roubado tinha me perguntado especificamente se eu tinha visto dois rapazes e uma moça, exatamente o que eu tinha no carro. Eles me perguntam se eu tinha vindo do canto dos araçás, se eu morava lá, no que eu achei que era uma sondagem, para ver se sabíamos do roubo ou algo assim. Desconverso dizendo que tinha ido ali num bar, mas que já que estava fechado resolvemos voltar direto, e aproveitei para reclamar da infra-estrutura da cidade. Pensei que se eu ficasse o tempo inteiro conversando eles não teriam muito tempo de pensar no que fazer, e na minha mente fui trabalhando o que eu faria caso minhas suspeitas começassem a se agravar. A minha frente, subindo o morro, um carro de BH para numa das curvas, e num segundo reflito se seria uma boa bater meu veículo na traseira deste, quebrando meu carro e forçando uma situação que eu ligaria para a polícia. Resolvo que não, eu sairia lesado da mesma maneira, mas fui seguindo o automóvel mineiro sem ultrapassa-lo para que, na pior das hipóteses, eu tivesse em quem bater. Continuei conversando, e estes calmamente me pediram para deixa-los na cabeceira do morro, do outro lado. Retruco perguntando aonde vão, e me respondem que para o Santa Mônica, um bairro um pouco mais a frente, e resolvo que vou deixa-los na entrada deste, planejando parar na frente da guarita de um prédio de um amigo, cujo porteiro me conhece e que fica logo na entrada do edifício, aonde eu estaria protegido caso me sacassem uma arma e tentassem levar meu carro. Deixo os três la e me vou, com meu amigo no carona, e viro para ele e atesto que com certeza absoluta eles são os ladrões, a essa altura já dominado pela paranóia e com o coração batendo a mil, no que este me olha e não faz a conexão. Explico para ele minhas suspeitas e depois justifico as minhas atitudes, como mentir para eles sobre aonde íamos, acelerar quando o carro da frente parou e depois frear no último segundo e, por final, parar no meio da rua na frente de um prédio, ao invés de num estacionamento ou acostamento. Nisso ele fala: “é, é essa tua mente carioca em funcionamento”.

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Ana Maria

Toda vez que faziam amor, ou transavam, trepavam, fodiam e tudo isso, ela, Ana Maria, não conseguia gozar. Sete anos de casamento, sem contar os outros três de namoro, nem uma vez. Nem u-mi-nha. E como ela fazia para manter a felicidade conjugal? Fácil, se masturbava pensando em seu marido, Carlos, e era feliz. E, assim como nem uma vez gozou no ato, no ensaio todas, to-di-nhas, o fez pensando nele. A vida dos dois era boa, tinham essa válvula de escape que quase casal algum tem depois de tantos anos, o tal do tesão recíproco. Nunca lhe ocorrera se Carlos só desejava ela, afinal, para Raquel, a coisa mais natural e automática do mundo era pensar em seu esposo, antes, durante e depois do sexo. Até aquele dia, em que ela ouviu de uma amiga, casualmente, que ela para manter a chama acesa da relação pensava em outros homens, constantemente, e ao ver a surpresa de Raquel esta a encorajou a faze-lo também. Resolveu que já tinha tentado já tanta, mas tanta coisa mesmo na cama, que essa até que valia a pena, por mais absurda que lhe soasse. Gozou, então, pela primeira vez na sua vida fazendo amor, só que não com a mesma pessoa em sua mente. A culpa, o horror, o nojo que sentiu de si, todo aquele sentimento horrível de trair o marido em nome de uma gozadinha só, carregou consigo calada por muito, muito tempo. Confessou, então, a amiga que tinha lhe encorajado, triste do dia que ouviu tamanho absurdo. Essa amiga, muito solícita, resolveu terminar o serviço e plantar na cabeça de Raquel a derradeira semente da discórdia: “Hora minha amiga, e você acha que durante todos esse anos Carlos nunca, nem uma vez, pensou em outra mulher? Nem no banheiro, sozinho, imaginando uma loura? Ou uma mulata, uma ruiva, uma japonesa, todas juntas, prazeres como esses que você nunca lhe dará?”

Não teve outra alternativa, pediu o divórcio no mesmo dia.

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Melancolia

É estranho como as pessoas tem uma certa aura, que passa bastante da personalidade delas dizendo nenhuma ou poucas palavras. Não esse negócio de aura mística, mas aquela coisa de você ver uma pessoa e saber claramente o que se passa na cabeça dela. É muito fácil perceber quando alguém está alegre, radiante, mas muito mais impactante é ver uma pessoa triste e frustrada, tentando manter a dignidade e fingindo que tudo está bem. Por conta da minha viagem tive que refazer minha carteira de identidade, e quando fui no órgão burocrático competente para tal fui atendido por uma moça, muito bonita e arrumada, mas que só de eu sentar perto dela já senti o clima pesar. Ela olhava distante, como que através de mim, e tinha um tom morto e vencido na fala. Tinha uma aliança na mão esquerda, e devia estar no máximo nos seus 22 anos. Ficar olhando pra ela e pensando que estava ali, no meio daquela mesmice sem desafios e casada tão nova só me fez ficar com o sentimento que esta garota merecia mais da vida. E o pior que ela percebeu um tom de pena nas minhas palavras quando falei com esta, no que a moça deixou o corpo ereto, falou com uma voz firme e resolveu o problema de maneira tão digna que me senti um idiota por te-la tratado daquele jeito, por mais sutil que tenha sido. Outro dia foi a situação contrária: estou trabalhando com meu irmão mais velho no seu quiosque de cookies, por conta de uma cirurgia que ele teve que fazer. Ele quebrando o corpo e eu quebrando o galho. Fico sozinho no quiosque a maior parte do tempo, e atendo tudo quanto é tipo de pessoa, e aqui a já quase um mês comecei a lidar diariamente com os consumidores assíduos. Um destes é uma moça, nos seus 25 anos, com um rosto muito bonito, mas um corpo muito acima do peso, com dobras e reentrâncias que não deviam estar ali. Ela sempre vem com um ar de vencida, caminhando devagar como quem pensa “eu juro que é o último, amanhã não compro mais” e me pede um cookie de chocolate branco, sem nem me olhar nos olhos. Fico tão constrangido por toda a situação, sei lá nunca soube lidar direito com essas coisas, que faço tudo em silêncio e de maneira mais delicada possível. Parece que ela prefere assim, pois quando sai me agradece baixinho num tom de quem entende que tentei fazer o melhor possível da situação. É foda isso, lidar com público, porque você é praticamente exigido uma postura simpática e leve, mesmo nos dias que dão tudo errado. Se já é ruim assim nessas coisas pequenas do dia-a-dia imagine alguém que notoriamente tenha que ser feliz e pra cima o tempo todo, essas celebridades e pessoas públicas da vida, que são escrutinadas por tantas outras que não tem nada melhor o que fazer. Essa ditadura da felicidade, do bom humor parece que matou o charme da melancolia, a tristeza bonita que parece que se ostentava em outros tempos. Agora a tristeza vem acompanhada de culpa e vergonha.

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Hoje fui a aula

Acordei num pulo, num esforço hercúlio que só com um ímpeto brusco me tiraria do sono dos justos, no meu caso de quem passou a noite jogando futebol acima da minha média, talvez até bem. Se bem que depois da pelada dei aquela esticada no bar, afinal segunda-feira é o dia crise e só bebendo pra aguentar. Fiquei no meu apartamento, que mesmo sendo muito bom está francamente uma zona, fruto do meu fim de semana com a namorada em que o que menos nos importou foi o estado do local. Fui dormir tarde pra acordar cedo, virar pro outro lado da cama e dar mais uma dormidinha, sabe como é. Quando consegui me arrancar da cama, num desses milagres da vida, rumei pra minha primeira obrigação do dia, uma aula para lá de miguelenta em que toda a matéria que foi passada neste semestre poderia ser comprimida em uma manhã somente, se dada por um professor menos desinteressado. Bem, com certeza não sou modelo de conduta para um aluno, já que cheguei atrasado ao ponto de não ter mais onde sentar. Fiquei por um tempo em pé, vendo o vídeo que estava passando, lutando contra o sono que consumia minhas faculdades mentais. Depois da peça audio-visual tivemos um intervalo, seguido de uma dinâmica de grupo que visava avaliar os pontos fortes, oportunidades, fracos e ameaças do curso de design da UFSC. Chamam isso de FOFA, bem coisa de designer. Infelizmente meu grupo pegou os pontos fortes, com o sono e ressaca que eu estava iria render muito mais falar mal. Enfim, o grupo foi formado na hora por um sistema aleatório do professor, e me fez sentar e conversar com pessoas que normalmente não teria essa oportunidade. Depois de pensar nos verdadeiros pontos positivos do curso chegamos a unânime conclusão que é o seu capital humano, esse bando de viado, puta e maluco que perambula por lá. Nada disso é novidade, mas no momento seguinte passamos a um papo muito mais informal, em que basicamente as pessoas do grupo ficaram falando sobre sua vivência dentro da universidade. Sério, me assustei. Praticamente todos ali disseram que mesmo estando a anos na UFSC não fizeram amigos, somente colegas; E que quando encontram esses colegas são apenas em ambientes relativos a faculdade, sempre com conversas sobre design. Tão fazendo tudo errado. Se admitindo que o melhor que tem ali são as pessoas, e mesmo assim não conseguir fazer amigos me parece uma falha gravíssima de pessoas que pensam atuar no ramo da comunicação. E eu que achei que estava desperdiçando meu tempo, numa graduação que se arrasta a passos largos para o dobro do que deveria demorar, me deparo com pessoas que estão desperdiçando a própria vida bitolados no esquema casa-facu-casa-passaramosmelhoresanosdaminhavida. Ta certo que o ritmo que eu levo minhas obrigações não serve de exemplo pra ninguém, mas dando uma pausa na minha auto-crítica e olhando pro lado vejo que sim, estou muito melhor que a maioria das pessoas que conheço. É verdade, tem que se almejar o topo, mas um pouco de noção de como as coisas estão a sua volta lhe fazem refletir se você está tão mal assim.
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Tenha certeza, ela já planejou tudo e você ainda nem a conhece

A essa loucura feminina do casamento. Fui dar carona pra duas amigas, e elas estavam animadíssimas no trajeto para um festa falando logo sobre isso. Uma já tinha a fotógrafa, outra o vestido, as duas os locais da cerimônia e da festa, o bolo, a lua-de-mel perfeita e o menu do jantar, mas nenhuma o esposo. Nem pretendentes. Uma vez ouvi do pai de um amigo, que pra mulher é muito mais importante a festa que a vítima, e que chega um dado momento que vai qualquer um. Quem tem amigas perto dos 30 percebe isso facilmente, mas eu que estou nos 24 ainda fico surpreso com algumas coisas da vida. Conversando com uma delas, que tem só 21 aninhos, esta confidenciou que já existe pressão pra que arranje alguém, e que em toda família tem aquela mulher que ficou para titia, a grande pária consanguínea, pior ainda que o tio doidão, que pelo menos é um cara interessante. Engraçado pensar isso, que realmente existe o arquétipo da mulher que nunca teve um homem pra chamar de seu. A desquitada pelo menos tem a dignidade de ter cansado de um, mas teve toda a glória e pompa de um casamento, praticamente um orgasmo social para as fêmeas, que é uma festa de debutantes muito, mas muitos mais importante, em que toda a atenção está ali, na noiva e tudo relacionado a ela, inclusive aquele incômodo coadjuvante chamado marido, pra quem sobra a ressaca de pagar a conta. Tenho a teoria que se um dia eu tiver muito dinheiro vou sair apelando como o Vinícius de Morais, que falava para as moças, cada vez mais novas, frases do tipo “casa comigo em Paris, e no vôo eu componho uma música em tua homenagem”. Tirando o fato dele ser um monstro da música, chamar uma mulher, quase qualquer uma delas, pra casar em Paris é garantir uma boa dor de cabeça, quase uma TPM de meses que são usados pela noiva para pensar em todos os detalhes de tudo, inclusive, dependendo da neura da mulher, as cores da sua cueca, amigão. Talvez o melhor mesmo seja chamar pra casar em Palhoça, aí sim vais saber se ela te ama de verdade.

PS: Só a título de curiosidade, na hora de escrever o título deste texto fui ver se existe uma fobia de ficar pra titia. Façam essa busca no google e vejam quantos textos existem sobre o assunto.

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Ciúmes

Acho ciúmes algo válido e, até certa medida, saudável numa relação. Claro, tem todo o argumento a favor do desapego e blablablá, mas pense comigo: quando você apresenta a sua namorada para as pessoas, você diz “esta é minha namorada”? Dessa maneira possessiva, com essa palavra que é bem difícil de substituir para que permaneça um contexto correto na frase, minha? Bem, eu faço isso. Como uma vez li num livro da Danusa Leão, pior que homem ciumento é aquele que nunca sente ciúmes. Concordo, afinal, se você escolheu uma garota em particular, ela é a sua garota, a escolhida para ser. Parece-me até que as mulheres esperam isso, e estão certas. Você não cuida do que é seu? Óbvio, com uma pessoa é muito diferente, mas ao mesmo tempo não. Penso que esse desapego, de não se preocupar nunca, é mais um fruto de não ligar tanto assim pra garota.  Se você tem um tesouro vais se preocupar para que continue ali, na sua vida, com certeza. Agora, outra coisa é mulher que gosta de provocar ciúmes. A, pra isso não tenho e nunca terei paciência, mas aquele involuntário, de você ver um rapazola falando com sua moçoila na sua frente, e ela não dando muita bola mas mesmo assim sendo uma situação constrangedora, vai lá e dá a dica para o sujeito. Pronto, saudabilíssimo. Sim, dependendo da maneira que o terceiro age você é mais proporcional no seu toque, no máximo até hoje só tirei com a cara de pessoas folgadas e sem noção, nunca precisei chegar as vias de fato de cair na porrada por causa de mulher. Mas tenho em minha cabeça que existem essas situações sim. Com certeza o ciúme está ligado a uma certa dose de insegurança, mas a falta dele pode estar ligado também a uma visão não condizente com a realidade, como por exemplo o corno que é o último a saber. Não que eu ache que entendo das mulheres, e só de coloca-las num bolo já vejo que estou muito errado, mas me dêem esta liberdade para escrever o seguinte: o ciúme na visão delas anda de mão dada com o desejo, com aqueles prazeres egoístas que só você quer desfrutar. É querer tanto alguém que só você pode, como se esconder para comer chocolate, tomar só uma cerveja carérrima ou ficar sozinho, desfrutando da própria companhia. A contrapartida também, as vezes você se pega em situações que garotas dão em cima de ti acintosamente, e praticamente só quando você está namorando, e indo além especialmente quando sua escolhida está com você na mesma festa. Eu faço de tudo pra não piorar a situação, me faço de grosso ou desentendido pra que não cause desconforto na cônjuge, mas fico mais ressabiado quando esta percebe e caga e anda pra situação. Afinal, como não se irritar com uma vagabunda passando a mão no seu homem na sua frente? Ouvi de uma, certa vez: simples, você não é do tipo que faria isso comigo. Sim, mas depois vi a mesma espumando de raiva de uma moça que veio esfregar a bunda em mim, literalmente. E achei essa reação bem mais saudável do que achar que estava tudo certo. É impor limites, afinal, cada escolha é uma renúncia, e namorar é perder liberdades por causa do entendimento que outra pessoa se importa e muito com o que você faz, e em troca você tem carinho e cumplicidade; E parte dessa perda é aprender o que pode e o que não. As vezes algo inocente acaba irritando muito, e saber o que evitar é essencial. Pras outras coisas, essas que fogem ao seu controle, realmente, são as mais complicadas, mas dão um gostinho de saber que, se não der atenção, sempre tem alguém que vai. O que é ótimo, afinal, quem quer um relacionamento acomodado? De saber que está na mão, que sempre esteve e que estará? Não, as vezes o bom mesmo é sentir um ciúme na pele pra ver o quanto ela é importante pra ti, e vice-versa.

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Sobre a impressionante seca que as mulheres aguentam Ou a função social do cafajeste

Conversando com mulheres da minha vida ouço histórias aterradoras, que me reviram as entranhas. Como que alguém consegue ficar mais de 6 meses sem dar umazinha? Nem que seja uma mal feita, mas só pra tirar o atraso. Pois bem, contrariando a lógica, muitas ficam. Quando normalmente um homem já estaria subindo parede, vem elas e quebram todos os recordes rindo, como comparar um fundista com uma adepta da maratona. Você, leitora, pode arranjar um série de argumentos pra justificar a sua seca, mas não vou conseguir entender quase nenhum. As palavras vão entrar e passar reto pela minha cabeça, e a única coisa que vai ficar ali é um grande ponto de interrogação, que pode ser traduzido em “mas como minha gente, jovem, atraente e cheia de saúde, sem ninguém pra dar? Como? Por que? MEU DEUS POR QUE?”. Exageros a parte, ta, se não tem quem preste essas coisas e blablablas, mas sério, já ouvi relato de onze meses. Onze! Até que a dita cuja cansou e viu que fechar um ano é muita tristeza e pronto, arranjou alguém pra aninhar. E é aí que entra a função social, muito perseguida e caluniada mas mesmo assim essencial para a sociedade, do cafajeste. Vocês sabem muito bem quem é, reconhecem de primeira, dão e depois tem a cara de pau de reclamar que o cara não liga. Sinceridade acima de tudo meninas, vocês sempre sabem aonde estão amarrando o burro. Claro, cada caso é um caso, tem aqueles muuuuito dissimulados que se passam por bons moços e depois, já sabe. Mas aquele galinha, que exala sacanagem, aventura e falta de compromisso, a esse vocês vem de longe. O profissional, claro, afinal de cafajestes amadores o mundo está cheio, e só conseguem se-lo aqui e ali, numa boa fase. Mas o que faz disso um estilo de vida, atende a um chamado e faz a alegria das a perigo são as que vocês vão reto na seca. Tenho um amissíssimo que é assim, destes que não prestam. Tem uma extensa ficha corrida, mas sabe que só serve pra uma vez. Talvez um punhado, vá lá, tem seca acumulativa, o sujeito pega aquela camela que precisa arrumar o estoque para mais uns meses no deserto árido da falta de caralho e naturalmente rola um trato mais prolongado. Sóbrias reclamam que ele só quer sexo, bêbadas pegam, deitam e rolam e, de ressaca no dia seguinte, agradecem aos céus pelo filha da puta ter ido embora sem nem deixar um bilhete. Entra, saí e some. Simples. E melhor ainda, serve de pretexto pra reclamar de homem em mesa de bar.

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